Sucesso de votação
A cada dia que passa, aumenta a quantidade de senadores que votaram a favor da cassação de Renan Calheiros. O número não pára de aumentar. A Folha encontrou mais dois. Não informou quais. Agora, o rescaldo da votação tem dez votos a mais pela cassação do que a contagem oficial. Oficialmente, portanto, temos pelo menos dez senadores mentirosos - ou ao menos 12,3% da Casa.
Ou isso ou o painel foi fraudado. Não é impossível. Mas é muito mais fácil uma respeitável proporção de políticos eleitos mentirem pra fazer média com o eleitorado em público e com o presidente do Senado em particular.
No Estadão, hoje, a colunista Dora Kramer ilumina os bastidores:
Nos bastidores, sempre que podiam, [muitos senadores] lançavam suspeições - sem dizer claramente do que suspeitavam - sobre aquelas duas figuras [Pedro Simon e Jefferson Peres], incluindo no rol dos ironizados também os senadores Demóstenes Torres (pautado, segundo eles, por projetos eleitorais goianos), José Agripino e Eduardo Suplicy, segundo esses autores movidos pela luz dos holofotes. Ora, não pode ser um mero acaso a similitude de argumentos. Havia, e há, na oposição, gente fazendo jogo duplo.
Não para atender a conveniências do governo, mas a interesses próprios. Além do discurso ameaçador do presidente do Senado indicar a posse de um embornal fornido de informações, na véspera e no dia da votação senadores receberam telefonemas de tradicionais financiadores de campanhas. Eu, pessoalmente, gostaria muito de saber quais foram esses financiadores. Você não?
Escrito por Marcelo Soares às 13h45
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Na oficina de Gepeto
O sítio Terra perguntou aos senadores se votaram contra ou a favor da cassação de Renan Calheiros. Foram 40 os que disseram que votaram pela cassação - sendo que apenas 35 votaram assim.
Temos pelo menos cinco mentindo desta vez. Mais gente pode ter mentido na outra, especialmente se considerarmos a intersecção das listas.
Para facilitar um pouco o trabalho, ninguém disse que votaria pela cassação e depois disse que resolveu não fazê-lo. No máximo, não falou nada.
Em comparação com a lista publicada ontem pela Folha, estes foram os senadores que disseram que votariam pela cassação de Renan e, depois da votação, não abriram o voto ou não foram encontrados:
- Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) - não abriu - Jefferson Peres (PDT-AM) - não foi encontrado pelo Terra - João Pedro (PT-AM)- não abriu - Marconi Perillo (PSDB-GO) - não foi encontrado - Patrícia Saboya (PSB-CE) - não foi encontrada
Estes foram os senadores que preferiram não declarar o voto à Folha mas que afirmaram ter votado pela cassação de Renan ao Terra:
- Álvaro Dias (PSDB-PR) - Eduardo Suplicy (PT-SP) - também deu entrevista a Josias de Souza dizendo que votou pela cassação - Heráclito Fortes (DEM-PI) - Mão Santa (PMDB-PI)
A Folha também fez novo levantamento após a votação. Nele, 43 senadores disseram ter votado pela cassação de Renan - dois a mais que no levantamento anterior e oito a mais do que na votação de verdade. Os novos cassadores são:
- Alvaro Dias (PSDB-PR) - também na lista do Terra - Eduardo Suplicy (PT-SP) - também na lista do Terra - Heráclito Fortes (DEM-PI) - também na lista do Terra - João Durval Carneiro (PDT-BA) - não abriu o voto ao Terra - ACM Júnior (DEM-BA) - não foi encontrado pelo Terra - Neuto de Conto (PMDB-SC) - não abriu o voto ao Terra
Os que cassariam e sumiram ou preferiram não revelar são:
- Lúcia Vânia (PSDB-GO) - disse ao Terra que votou pela cassação - Jayme Campos (DEM-MT) - disse ao Terra que votou pela cassação - João Pedro (PT-AM) - também na lista do Terra - Eduardo Azeredo (PSDB-MG) - não foi encontrado, mas disse ao Terra que votou pela cassação
Há mentirosos nas três listas. Quem são eles? Quantos são? Lembre que, se apenas oito mentiram, como sugere a pesquisa da Folha, já são 10% de pinóquios entre os senadores.
[Não se pode desconsiderar também a possibilidade de o painel do Senado ter sido fraudado pra alterar a votação ou pra alguém com interesses políticos ficar sabendo quem votou como. Já aconteceu antes. Mas esse tipo de coisa geralmente só aparece quando o interessado bate com a língua nos dentes. O último que fez isso e abriu a boca morreu politicamente seis anos de sua morte física.]
Escrito por Marcelo Soares às 18h07
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'Todos eles têm o rabo preso!'
A frase do título foi dita agora há pouco por uma das estagiárias da Transparência Brasil, ao analisar mais de perto os resultados da votação que deixou de cassar o presidente do Senado, Renan Calheiros. Foram 35 votos pela cassação, 40 contra e seis abstenções.
Hoje, a principal reportagem da Folha consultou os 81 senadores sobre que voto declararam que dariam. Foram 41 declarações pela cassação, 10 contra e 29 não declararam. Pode-se supor que pelo menos seis dos 41 mentiram pra "ficar bem na fita". Todos os 41 são suspeitos de ter mentido (os que não declararam foram praticamente votos certos contra a cassação). A lista completa dos nomes saiu só em infográfico, não em texto, portanto infelizmente não entrou no Deu no Jornal.
Não entro sequer no mérito da decisão - é prerrogativa dos senadores manter na presidência, caso queiram, um colega acusado de trampolinagens. Mas, no mínimo, devem assumir a responsabilidade por isso.
É sabido que o senador Calheiros trabalhou até a última hora, nos bastidores, pra tentar virar a votação. Já se falou pelo noticiário das ameaças veladas feitas por Renan sobre contar o que sabia a respeito dos colegas. Isso sem falar no artigo do advogado Maurício Corrêa sobre uma cortesã, publicado neste domingo pelo Correio Braziliense, que de outra forma seria divertidíssimo. Difícil saber o que pesou. Na dúvida, fico com a avaliação da estagiária.
Em se tratando de democracia representativa em geral e da Casa legislativa proporcionalmente mais cara do mundo em particular, a combinação de voto secreto com mentiras públicas só ajuda a aumentar o descrédito na instituição. O que é justamente o contrário do que a política brasileira precisa.
Escrito por Marcelo Soares às 17h39
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Festa da democracia

A Folha Online registra o clima no começo da sessão secreta que avalia a cassação de Renan Calheiros:
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) --que nesta manhã trocou socos com seguranças do Senado antes da sessão que vai julgar o futuro político do senador Renan Calheiros (PMDB-AL)-- vai requisitar as fitas do circuito interno de segurança da Casa para apurar os responsáveis pelo tumulto. Um grupo de deputados --da chamada terceira via-- trocou socos e pontapés com seguranças do Senado depois de serem barrados na entrada do plenário.
"Isso não vai ficar assim. Nunca na história isso aconteceu", disse Jungmann.
De acordo com o parlamentar, a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) está com a perna ferida e sangrando. Ele não soube dizer se ela levou um pontapé ou choques na perna durante a confusão com os seguranças.
Em meio ao empurra-empurra, caiu um equipamento utilizado pelos seguranças, denominado taser --que emite descargas elétricas para imobilização-- semelhante a uma arma.
Segundo os seguranças, o taiser é utilizado pelos homens que fazem a segurança interna do Senado. Os outros utilizam armas de fogo. No total, são 150 seguranças que guardam o Senado.
Defesa
Os seguranças justificaram que a confusão foi causada porque não haviam recebido o comunicado da Mesa Diretora, atendendo à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizando a entrada dos 13 deputados na sessão secreta.
Integrante da Mesa, o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) apoiou a iniciativa dos seguranças do Senado.
Segundo ele, os deputados tumultuaram o dia na Casa e queriam "aparecer". O tucano afirmou que, se os seguranças agiram com violência, tiveram a determinação da presidência do Senado.
"Eles querem aparecer. Então que vão fazer bagunça lá na Casa deles. Só porque tem um botton [broche] acham que podem chegar aqui e dando sopapos. O pau sempre quebra do lado mais fraco. Eu não aceito punir os seguranças", afirmou o parlamentar.
Escrito por Marcelo Soares às 14h37
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Mercado eleitoral
Hoje em O Estado de S.Paulo:
O Tribunal Regional Eleitoral do Piauí aceitou ação penal contra o prefeito de Aroeiras do Itaim, Gilmar Francisco de Deus (PP), por demolir um mercado público e distribuir o material de construção a eleitores. Aroeiras do Itaim foi recentemente emancipado do município de Picos, a 306 Km de Teresina. A denúncia foi feita pelo procurador Carlos Wagner Guimarães, segundo o qual a distribuição do material teria o objetivo de beneficiar a eleição de Gilmar. A advogada do prefeito, Geórgia Nunes, alegou que o município não era emancipado e o fato não configuraria crime eleitoral.
Escrito por Marcelo Soares às 17h04
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